Pode parecer algo descabelado, mas escrevi o Manifesto das ovelhas negras. Sim, nele dou voz a todos os que divergimos da maioria, aos que não aceitamos ser tratados como números, aos que rejeitamos o pensamento único.
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Há janelas que realmente vale a pena abrir. Sim, essas que usamos como portas pelas quais sair voando, voar sonhando, sonhar pensando. Tomara olhássemos por elas enquanto digitássemos nos seus transparentes cristais perguntas inteligentes, porque de respostas infalíveis estamos todos fartos.
Tomara essa telinha que nos diz tanto e nos pede mais ainda; sim, esse monitor que parece uma janela escancarada ao mundo mas que não passa de ser um paredão no qual fuzilamos diariamente as nossas possibilidades de sermos outra vez de carne e osso, se transformasse num varandão pendurado sobre uma bucólica pracinha de bairro, num país sem dores sociais, habitado por gente como a gente. Seria, quando menos, a derrota das regras do jogo escritas e impostas pelos fabricantes da desventura, e, quando mais, a consagração de todos aqueles que tratamos de transformar impulsos elétricos em sentimentos humanos, ou promessas virtuais em resultados concretos.
Por isso é que vale a pena levar sempre uma janelinha aberta no bolso de trás da nossa sensibilidade, porque se não o fizermos, nos veremos obrigados a ratificar a vitória definitiva e mortal do cinza sobre o arco-íris, do partir sobre o chegar, do acatar sobre o livre arbítrio, da renúncia sobre a esperança.
Quem achar que escrever é fácil não sabe da missa a metade. Um dia desses eu caminhava à toa, indo a lugar nenhum, numa ruazinha de uma cidadezinha da Suécia, olhando para os lados, para cima, para dentro, quando....
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