Desconfío que muitas vezes há mais poesia na ausência de poesia do que em aplaudidos versos ou em premiados livros ou em completas bibliotecas.
Sim. Diria que um pedido de socorro carregado de meias palavras, de lágrimas insinuadas, de gritos contidos, chega mais fundo do que Pessoa e Camões junto com seus belos versos de papel e letras.
Garanto que rima mais um silêncio de cumplicidade que cem mil poemas de felicidade; uma dor em carne e osso do que todas as desgraças e alegrias do Cântico dos Cânticos.
Não duvido que sofrer sem palavras ou esperar sentado ou chorar sozinho, rimam mais do que o escrito por todos os gênios da prosa e do verso e da palavra.
Acredito que há poesia em tudo o que fazemos e em tudo que deixamos de fazer. Ela está presente até na intolerância que nos confina no calabouçoo da nossa inverídica onipotência.
Esta mensagem tampouco é poesia, e por isso ela é um verdadeiro poema, porque eu, tu, ele e ela, o único que verdadeiramente fazemos é somar palavras e multiplicar conceitos. O restp é vã filosofia.
Só agora, depois de ter recebido a confirmação oficial do falecimento de uma querida amiga na Guerra do Iraque, e levando em consideração o fato de que alguns de vocês também a conheceram, divulgo este pequeno epitáfio, porque foi escrito especialmente para quem partiu antes do tempo, vítima do mais cruel dos destinos.
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Perdemos dinheiro. Dói, mas não morremos por causa do vil metal.
Perdemos a fé e a esperança, e a despeito disso a nossa vida continua.
Diferente - muito diferente - é quando não conseguimos achar-nos.
Na maioria dos casos, ocorre o que conto aqui...