Tem gente que não gosta de sorvete. Outros detestam pizza. Mas não é pensando neles que escrevo, mas naqueles que não aprovam que num meio como este alguém publique um poema, ou um conto, ou uma crônica.
Pois muito bem: se alguma pessoa não gostar de que de vez em quando apareça aqui uma poesia ou uma simples prosa poética, sugiro-lhe que vá agora mesmo até o prédio mais alto do seu bairro e peça licença ao proprietário da cobertura para subir ao teto do edifício (quanto mais alto, melhor), e uma vez lá, que se aproxime da beira e dê os seguintes passos, nesta ordem:
Primeiro, que olhe para baixo, para as coloridas copas das árvores que não deixam ver a calçada de tão cheias de folhas que estão.
Segundo, que levante a vista e olhe para o céu, estupidamente azul, manchado aqui e acolá por pequenas nuvens que transitam celeremente.
Terceiro e último - num grand finale digno de aparecer em todos os telejornais - que imite os movimentos delicados das gaivotas que desfilam pela passarela que fica entre o sol do céu azul e as árvores da superfície terrestre, e num último e definitivo gesto abra os braços, e rezando a oração que mais a emocionar, agradeça a seu Deus por toda a poesia que existe no ar, e pelos passarinhos que aninham nas copas das árvores, e pelas nuvens que vem e que vão, e pelo bom que é estar vivo, e pelo maravilhoso que é estar com saúde.
Depois, e sem necessidade de palavras - bastando apenas um olhar cheio de ternura para a paisagem circundante - que diga adeus a esse momento de sensibilidade e faça o caminho de volta ao seu computador, e em lá chegando digite um comentário no Blog para que nós - pobres mortais - possamos usufruir um pouco da poesia que ela escreveu nas páginas da sua própria vida.
Tomara fosse possível descadastrar do mapa a todos os políticos inescrupulosos que pululam pela geografia da realidade, que saltitam pelas páginas dos partidos, que nos olham desde as manchetes policiais, que conspiram....