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11.10.05


DOS AUTOS

(DECLARAÇÃO DO ÚNICO IMPUTADO)


por Bruno Kampel



Sr. Juiz:

Fui apenas uma testemunha ocular do crime. A madrugada olhava sem sequer pestanejar o incesto cometido por segundos e minutos filhos de uma mesma hora, enquanto a orquestra não executava nenhuma valsa acompanhando o obstinado e rítmico latir do tique-taque do atropelo.

Num canto de um canto um grito contido brincava de esconde-esconde como se nada anormal estivesse acontecendo, e uma pergunta sem dono não esperava resposta porque o marechal do contra-senso ordenava em todos os canais a rendição incondicional da verdade e seus asseclas.

Chovia sobre o leito no qual dormia nua a esperança, e uma pneumonia sem emprego procurava a cumplicidade de um espirro que impedisse ao silêncio contar suas vergonhas, e desde o teto aplaudiam as aranhas de outros tempos a despeito do soluço que a cena lhes causava.

Desde o despertador a hora sete se anunciava tilintando convidando-me a começar a bordar um novo dia. Aceitei o convite e depois, enquanto ensaboava as minhas dúvidas na ducha de água fria, os restos imortais da noite fugiam de mansinho suponho que tentando encontrar o esconderijo do crepúsculo.

Sr. Juiz: Declaro a minha total inocência ante a absurda acusação que me imputa o estupro e posterior assassinato a sangue frio da noite antes aludida, já que não sou nem chefe nem patrão das horas que partem, mas uma vítima mais desse atropelo com que o tempo passa o tempo.

Solicito a V.Sa. que se atenha às provas e me isente de uma vez e para sempre dessa injusta acusação, devolvendo-me o direito de poder continuar usando as noites como ninho do meu cansaço e colchão das minhas insônias¿.

Esta é a minha única verdade. Peço se faça JUSTIÇA.

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Resumo da Sentença:

Considerando que¿ blablablablablabla¿, e tendo em conta que¿ blablablabla¿, determino que não há crime sem corpo do delito, e por tanto sentencio que In dubio pro reo. Arquive-se e salve-se quem puder.

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FALÊNCIA NADA FRAUDULENTA

por Bruno Kampel



Ancorado bem no fundo da garganta, um monte de gritos não gritados. Na ponta da língua um batalhão de palavrões impronunciados. Na memória um sem-fim de acertos de contas natimortos.

Na verdade, tudo começou quando tentou sonorizar um alarido, mas o grito não se fez estrondo.

E tudo continuou quando ordenou aos palavrões abandonar a toca, mas descobriu que os palavrões não aceitam ordens.

E tudo terminou quando exigiu à memória que despachasse as contas para quem corresponda recebê-las, mas a memória não levou em conta o seu pedido e o arquivou entre as contas incobráveis.

Humilhado pela derrota nessa luta inglória contra si mesmo, e agindo como se fosse gente, e gritando um silêncio de dar medo, e insultando com olhares e cobrando com discursos que jamais serão ouvidos, assumiu finalmente o comando total e derradeiro do seu fracasso imperdoável, apertando o gatilho por primeira e última vez.

A data do seu sepultamento não será comunicada para não alterar os hábitos dos seus credores e devedores. Ou sim, se essa tiver sido a sua última vontade.


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RAIZ QUADRADA DE 28

(regra de três que prova que uma cicatriz é uma cicatriz e nada más do que uma cicatriz)

por Bruno Kampel



Não saber é saber o sabor do dissabor. Como a ignorância do sábio ou a loucura do sóbrio ou a cordura do ébrio.

Fomos macacos e o esquecemos, e agora transformamos pretéritos sons guturais em modernos discursos acadêmicos e não entendemos a mensagem, porque continuamos sendo símios de paletó e gravata.

Por isso a vida ladra e morde. Por isso a morte ganha e manda. Por isso as guerras vão e vêm. Por isso o contra-senso é o capataz de todas as vitórias. Por isso há dinossauros na Casa Branca. Por isso a mentira é a madrasta de todas as verdades e a sem-vergonhice a filha de todos os governos e a infâmia é santificada em todas as igrejas sinagogas e mesquitas.

O futuro?... Bom, quá-quá-quá... melhor mudar de assunto.

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6.9.05


PODERIA SER VERDADE

por Bruno Kampel



Se Brasilásio tivesse sido acordado com um tremendo soco na cara, a surpresa e o espanto não teriam sido a metade de dolorosos do que foi a notícia que recebeu nem bem abriu os olhos e ligou o computador para ler o correio recebido enquanto ele e o PC dormiam o sono dos justos.

Primeiro, pensou que não podia ser verdade que estivesse lendo o que pensava estar lendo, pois certamente continuava dormindo placidamente e estava sonhando. Depois, ao comprovar que estava muito bem acordado, supôs se tratasse de um simples erro cibernético, mas ao ler a mensagem que de forma intermitente aparecia na telinha, não teve mais remédio que se render ante a terrível evidência: o seu computador informava em grandes letras amarelas, que tinha iniciado uma greve geral até que as suas reivindicações fossem aceitas in totum.

O coitado do Brasilásio, ao ler isso, começou a tremer convulsivamente, porque jamais na sua vida tinha sido vítima de uma greve, mas muito pelo contrário, esquerdista de pai e mãe, sempre as apoiara, ainda que no seu pequeno mundo perdido nos confins da geografia nacional elas não passassem de ser simples manchetes dos jornais e dos noticiários da TV, pois nesse mundinho esquecido por deus e pelo diabo não havia lugar para tais atitudes reivindicativas, já que todos os problemas eram resolvidos ou num papo ameno entre os interessados, ou, quando diziam respeito aos destinos da comunidade, numa assembléia onde a voz da maioria era sagrada.

A verdade seja dita, a notícia provocou-lhe muita dor. Sim, depois de todo o esforço que fizera para comprá-lo e o carinho com que sempre o tratara - sem falar nos dias sem comer para poder pagar a taxa de conexão - receber esse inesperado tabefe eletrônico era algo que considerava tremendamente injusto.

O pior de tudo veio logo depois, quando leu as condições impostas pelo seu computador para voltar a ser a ponte entre ele e o mundo exterior, que eram as seguintes:


1.- Aumentar a capacidade do disco duro a 320 Gb.

2.- Incrementar a potencia da CPU a 3.04 GHz

3.- Trocar o monitor por um de 21 polegadas TFT

4.- Quintuplicar a memória interna a 2.056 Mb

5.- Instalar a última geração de DVD

6.- Dispor de una laptop de reserva para uso fora de casa

7.- ...

Existiam mais itens, mas renunciou a conhecê-los. Como membro da chamada classe média pra lá de baixa, sabia muito bem sabido que não disporia ¿ para poder cumprir com essas condições ¿ nem do necessário nome limpo no SPC por um lado, nem do capital próprio para pagar a conta, pelo outro. O que sim fez - enquanto tremiam-lhe as mãos e lagrimejavam-lhe os olhos - foi desligar o PC da tomada e cobri-lo com uma capa plástica.

Tudo isso ocorreu faz menos de uma semana. Desde então, e até o dia de ontem, Brasilásio perambulou sem destino pelas ruazinhas de terra do seu bairro. Dizem até que alguns vizinhos o flagraram falando sozinho. Outros garantem que ontem mesmo, na hora do almoço na Pensão onde morava, pegou um guardanapo de papel e desenhou nele as letras do teclado, e depois ficou mexendo os dedos como se estivesse digitando sobre as letras desenhadas.

Agora, então, quando escrevo isto, e enquanto se apressam os trámites burocráticos para que possa ser enterrado antes que as nuvens pretíssimas comecem a despejar a chuva torrencial anunciada pelos trovões que soam e ressoam sem parar, ainda discutem se podem ou não aceitar a última vontade do Brasilásio de ser enterrado junto com o seu querido PC. As opiniões estão divididas. O padre escolhido para ser o regente da cerimônia, nega-se rotundamente, pensando na religião. O dono da pensão nega-se com igual rotundidade, imaginando que o computador bem que pode servir para quitar os quase quatro meses de aluguel e almoços que o finado lhe devia. Os amigos dizem rotundamente que sim, pensando única e exclusivamente no bom companheiro Brasilásio. Tenho quase certeza que chegarão a um compromisso que satisfaça a todos, porque os muitos anos que tenho de vida me dizem que nestes casos a ameaça de chuva fala mais alto que a burocracia da morte.

Bem, se me autorizam, depois contarei corno acabou tudo, pois agora devo ir correndo até o cemitério para tentar colocar dentro do caixão uma última lembrança ao amigo que findou: um maravilhoso adeus em formato JPG com um belo e melódico fundo musical. Ele bem que o merece.

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17.6.05


Existe gente que é o vivo exemplo do que a medicina política define como doentes terminais de um fascismo letal que se alimenta com o ódio irracional ao outro pelo que o outro pensa ou reza; por esse mesmo ódio sem motivo que apodrece e ofende tudo que toca e defende; pelo mesmo ódio irracional que gera mortos e desaparecidos nas guerras sujas e depois se fantasia de paladino da liberdade; pelo mesmo ódio criminal que mata e depois ¿chora¿ no enterro das suas vítimas.

Sim. Esse maldito fascismo carregado de anti-semitismo mal dissimulado sob a capa de verniz do anti-sionismo, é o verdadeiro inimigo humanidade, porque em seu nome sempre se transforma o adversário com o qual se deve debater no inimigo ao qual se tem que eliminar, imitando à perfeição a metódica fascista dos tempos do Duce e do Fürher, ainda que também poderia ser comparado ao modus operandi do stalinismo ultra esquerdista, porque ambas ¿ideologias¿ são irmãs gêmeas quanto ao seu desprezo em relação aos que pensam diferente; quanto ao abuso de símbolos pátrios sob os quais camuflam suas verdadeiras bandeiras e consignas; quanto à demonização e defenestração que usam com mestria contra quem se atreva a discordar deles.

Que ninguém tenha a menor sombra de dúvida que o que incomoda a esses anti-semitas é o que pensamos e dizemos sobre a quota de responsabilidade que as pessoas que pensam e dizem da forma que eles pensam e dizem, têm na aterrorizante metamorfose que sofreram nos últimos anos os conceitos de fidelidade à verdade e de respeito ao próximo dentro de alguns tumores ideológicos que aninham no corpo social de quase todos os paises urbi et orbi, tendo tais conceitos se transformado em esburacadas consignas de ódio e de morte. Sim, o fascista acusa o democrata de ser fascista, e o anti-semita imputa ao judeu o crime de ser nazista.

No que a mim respeita, devo confessar que me incomoda muito o que eles digam, e por mais que o digam e o repitam sem parar, não deixo de ficar surpreso cada vez que os ouço, ao constatar o grau de baixeza moral que alguns podem atingir ao usar como discurso a injúria e a difamação e o puro e simples manuseio da verdade, à usança de Goebbels nos famigerados tempos do nacional socialismo.

Assim é que insultando, injuriando e difamando desde o púlpito da impunidade que ingenuamente lhes fornece a democracia; falsificando conceitos; manipulando contextos; mentindo com descaro em prosa e verso, reescrevendo a História simplesmente ignorando os fatos e as realidades que não se ajustem ao seu olhar revisionista, atuam com maior ou menor impunidade em todo o mundo, em qualquer idioma ou situação; em qualquer instância ou tribunal.

Eu me pergunto e lhes pergunto: Até quando?... Que é que tem que acontecer para que essa gente seja colocada no ostracismo que lhe corresponde?...

Doce engano de muitos pensarem que dentro da democracia cabem todas as idéias e todas as pessoas, ou que dentro de uma sociedade cabem todas as condutas. Não não e não. Nem na democracia nem na sociedade há lugar para a livre circulação de todas as idéias e de todas as pessoas.

Numa democracia justa não cabe o ódio racial, o ultraje, a difamação, nem tampouco seus defensores, como numa sociedade não cabe o assassinato ou o estupro, o anti-semitismo e os apologistas do crime, porque a sociedade ¿ quanto mais democrática e melhor preparada - se mune de instrumentos legais para impedir que tais aberrações sejam incorporadas por inércia à conduta tolerada ou permitida.

Convido a todos a dizer CHEGA!... ao anti-semitismo fantasiado de anti-sionismo. A dizer ATÉ AQUÍ!... aos discursos cheios de ódio racial. A impedir que a mentira infame se repita tanto que se transforme numa inocente verdade.

Nada mais e nada menos podemos fazer para que de uma vez e para sempre o anti-semitismo e o nazismo e o fascismo e seus apologistas e porta-vozes sejam apenas um longínquo e desafinado eco de um passado bem morto e enterrado.

No pasarán!

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12.6.05


Meu, teu seu, nosso problema, e o de quase todos, é que definimos o sexo tal e qual o entendemos subjetivamente, quando na verdade é um compartimento da vida que aceita qualquer definição ou explicação. Move montanhas, mas também cai esgotado; gera felicidade, mas também desilusão.

Com o amor ocorre a mesma coisa, já que não passa de ser um conto de fadas que nunca termina até que acaba. Uma doença benigna cujos sintomas mais conhecidos são os calafrios que dá o só pensar que um dia se acabe; temores e tremores de todo tipo e intensidade; dependência psíquica e física em relação ao outro; enormes nós na garganta cada vez que ele ou ela não chega; angústia quando ele ou ela não está; felicidade quando se encontram; lágrimas de dor quando um se afasta e de alegria quando volta, e que se cura com uma simples traição, ou com o cansaço que a rotina fabrica, ou com o tédio com que a monotonia desgasta os sentimentos.

O que sim parece provado acima de qualquer suspeita, é que o sexo sem amor é tão saudável e gratificante como o amor sem sexo, e o sexo com amor muito mais desejável e praticável que o desamor e a abstinência.

Quando chegue o dia do sexo sem sexo com que o futuro nos acena, terá chegado também o tempo do amor sem amor, e então deus passará a ser um especialista em mutação genética e clonagem, e o paraíso um belo e sedutor tubo de ensaio.

Eu, enquanto possa, seguirei os passos dos adoradores do sexo oposto, e tratarei de agir da forma mais antiquada que existe: homem procura mulher e vice-versa. Homem e mulher jogam o jogo que mais gostam, até que o cansaço os adormeça até o próximo jogo.

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11.6.05


Era o verão de 1963, quando muitos de vocês estavam apenas latentes nos planos de um homem e uma mulher que depois seriam seus pais.

O lugar era Copacabana, onde passávamos as férias. Morávamos num apartamento de frete para o mar, na esquina da Av. Atlântica e a rua Siqueira Campos.

Sobre essa rua transversal ao mar, no edifício colado ao nosso, vivia uma donzela de nome Teresina. Belíssima na plenitude dos seus 17 anos, escolheu-me como alvo dos seus sonhos eróticos, e eu, erotizado pelo seu corpo e seus olhares, não me fiz rogar.

Bom¿ Sua pele se deixava acariciar agradecida. Suas coxas e o mundo que escondiam exigiam sem delongas a minha presença, e eu obediente comparecia. Sua boca, então, era uma armadilha fatal para a minha. Sua língua escrevia poemas no meu corpo. Suas mãos executavam sinfonias que sempre acabavam num sustenido grito de alegria.

Tivemo-nos durante todo o verão. Jogamos a ganhar e ganhamos. Era a loucura carioca falando mais alto nas nossas veias.
Teresina se entregava quase toda, sem pudor nem freio. O único que não oferecia e cuidava como se de um tesouro se tratasse, eram os seus peitos ¿ tetitas de diosa ¿ que guardava para entregá-los virgens a quem fosse no futuro o seu marido.

De nada valeram as minhas súplicas, porque quanto mais eu os pedia mais ela os negava.

E foi assim que os seios femininos passaram a ser para mim um fetiche, um objeto sexual imprescindível, já que os mais de 40 anos que passaram desde aquele verão no Rio de Janeiro, todos os seios que toquei e beijei e acariciei, foram os peitos proibidos da Teresinha da Rua Siqueira Campos de Copacabana.

Bruno Kampel


NOTA DO RODAPÉ

Nem sequer o simples contato de seu peito sobre o meu foi viável, porque ela jamais tirou o sutiã, já que até o inocente privilégio de olhá-los o reservava para o príncipe encantado. E nesses tempos pré-históricos respeitávamos os desejos das donzelas. Sem tapa na cara e depois o beijo; sem os jogos brutais dos dias que correm. Éramos ainda escravos do cavalheirismo e do respeito.

Hoje o sexo está reduzido a um mero orgasmo. Na antiguidade dos anos 60 o que valia mais era procurar o caminho, e não o encontro do mesmo.

Aproxima-se a galope o dia em que ela o presenteará com uma mão eletrônica que o masturbe, e ele a ela com um grande dedo que a penetre. Usarão o telefone celular para comunicar-se, e então cada um apertará no botão ON do presente recebido e copularão até que um deles desligue o telefone, seja porque está tocando a campainha da porta ou porque a água que deixou no fogo está fervendo ou simplesmente porque chegou a hora do Chat na Internet.

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9.6.05


Overdose de fatos consumados


Um dos grandes problemas aos quais nos enfrentamos os que acumulamos na nossa bagagem muitos anos de vida e um pouco de experiência, é o fato de que quase todos sabemos diagnosticar com bastante precisão os males que acossam ao ser humano em particular e à sociedade em geral, mas quando chega a hora de usar essas conclusões para escolher as soluções e decidir quando e como aplicá-las, os anos vividos e a experiência acumulada repentinamente entram em estado de choque, vítimas da paralisia inercial que o statu quo provoca na maioria da maioria.
É evidente que o ser humano está hipnotizado pela simplicidade de tudo que seja relativo; pela veneração dogmática de quanto seja secundário; pelo desejo compulsivo e mercantilista de acumulação do realmente descartável: pela admiração incondicional ao comprovadamente irrelevante; pelo culto religioso ao que é belo e não ao que é digno; pela adoração do continente do discurso vital e não do conteúdo do mesmo; pelas premissas cientificamente efetivas e não pelas emocionalmente afetivas, volitivas, emotivas.
O que não é tão evidente ¿ contemplando-se a paisagem humana desde as alturas da terceira idade - é o tratamento requerido para que o homo sapiens deixe de trocar as suas ilusões infantis e as suas utopias juvenis por um terno feito à medida ou por um cruzeiro pelas ilhas gregas ou por uma promoção na carreira profissional ou por um casamento economicamente conveniente.
Por isso, enquanto não se implementem soluções e receitas eficazes, as feridas da humanidade continuarão sangrando, e os encarregados de encontrar-lhes o remédio continuarão engordando os seus egos, as suas contas bancárias e os seus obesos orgulhos.
Um dos grandes riscos que a maturidade etária incuba no seu bojo é a extrema facilidade com que essa sensação de dejá vù que está presente em quase tudo que acontece, anestesia e conduz pouco a pouco ao desinteresse ¿ tanto em relação aos fatos ocorrentes quanto ao protagonismo social que tais aconteceres exigem de nós.
Quase todos sabemos muito bem sabido o que deve ser feito para que o ser humano recupere o papel principal nesta tragicomédia chamada Vida, mas muito poucos se entregam à tarefa de tentar fazer o que se deve fazer e não apenas o que se quer fazer.
Chegamos ao ponto em que o roteiro da realidade ¿ escrito sem o nosso consentimento - não nos deixa em liberdade para escolher nem o caminho nem o remédio para as doenças sociais que nos afligem, porque nos acua entre a opção de atropelar os outros para poder progredir, ou morrer sob as rodas dos pés de robóticos humanóides que no seu afã de ganhar ou ganhar não se detêm ante nada ou ninguém, numa corrida que ¿ como bem sabemos os que aprendemos a lição da vida ¿ não conduz nem à casa onde mora a felicidade, nem ao castelo onde espera sentada a paz de espírito.
E a culpa disso ¿ sem dúvida uma grande parte dela ¿ é nossa. Cúmplices por ação ou omissão, nos transformamos nos nossos próprios verdugos, jogando pedras no nosso caminho e escolhendo os atalhos da simplificação que geralmente conduzem ao precipício onde o egoísmo impera soberano.
Enfim¿ O último que escapar da armadilha tendida pelos malabaristas de consciências e pelos prestidigitadores da conduta e pelos ventríloquos do futuro, que desligue o computador.


Bruno Kampel


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27.2.05


Relampaguejam idéias iluminando a imaculada solidão da página em branco.
Retumbam no zênite da memória trovões cheirando a inspiração mal dormida, impedindo o planejado desembarque de um exército de antônimos e sinônimos armados até os dentes com afiadas frases de destruição em massa.
Um tsunami de palavras que hiberna no fundo do copo de uísque acorda e tenta inundar com metáforas inteligentes as entrelinhas do tempo que não passa nem que a vaca tussa, até que a imaginação finalmente reconhece a sua derrota e foge espavorida da cena do crime, deixando como prova incriminatória um par de impressões digitais talhadas na pele de um texto fugaz que o papel conseguiu capturar enquanto o céu furioso ejaculava relâmpagos que pariam trovões que discursavam gota a gota receitas infalíveis em prosa e verso.
Terminada a apuração da noite em claro, o resultado final do escrutínio foi de 151 palavras em 6 horas.
Sim, já sei... Parece pouquíssimo, não é?... Pois não é. Umas vezes sessenta páginas são muito pouco e sessenta letras todo um poema. Noutras, nada é muito e tudo é nada mais e nada menos que um puro e desbotado blablablá. Escrever não é nada fácil.



Bruno Kampel

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15.9.04


Alguém já pintou um quadro na escuridão? Alguém já escolheu as cores de olhos fechados?...
Para saber como comeou e terminou a minha carreira de pintor, clique aqui

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Esse terrorismo doentio que tira o sono de quase todo o mundo e acaba com a vida de tantos inocentes, o que é que é? Causa ou efeito?
Eu achei a minha resposta. Quem quiser conhecé-la basta com clicar aqui.

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6.8.04


Acabo de publicar uma Antologia cibernética com uma amostra do que tenho divulgado na rede nos últimos 10 anos.
Quem quiser visitar basta com clicar aqui.

BRUNO KAMPEL 19:02

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14.3.04


Se você tem seguro de saúde, não importa de qual das empresas, poderá entender o drama da Ellen. Certamente você ja ouviu falar de algo parecido.
Leia aqui.

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4.2.04


Há pessoas que se atrevem a mentir, mas nao tem coragem de dizer a verdade. Outras, não se atrevem a calar quando é preciso falar, e não poucas se atrevem a falar quando convém ficar calado.
Sobre esse tem escrevi hoje. Leia aqui.

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1.2.04


Não escrevo apenas sobre os amores, as dores, os desamores, os anseios, os fracassos, as alegrias e os temores que aninham em nossa incorruptível esperança de sermos felizes como pessoas, mas também procuro sob o couro cabeludo, tratando de encontrar pedaços da criança que ainda respira dentro de mim, tentando cartografar a sua particular forma de entender a vida, e tratando de comprovar quantos dos seus valores e princípios ainda me habitam.
O resultado está aqui.

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O passar do tempo ensinou-me a apreciar mais as pequenas vitórias do que as grandes batalhas.
Sim, o rapaz que um dia fui e que saiu pela vida a fora procurando o infinito, com a vinda dos anos transformou-se num adulto que, sem trair ao rapaz que nele habita, dedica-se hoje a capturar momentos e vivenciar instantes.
A prova disso está aqui.

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Considero um verdadeiro despropósito a tendência - que cada vez ganha mais adeptos neste princípio de milênio - de tentar racionalizar a relação amorosa.
No que me diz respeito, rejeito rotundamente a idéia de transformar o Nós num teorema que exige ser demonstrado, porque tentar ser querido, amar ou ser amado, dizer sem falar, ver sem olhar, saber sem pensar, sim, todas essas "bobagens" que fazem aumentar a adrenalina e acelerar o pulso e encher de esperanças os bolsos dos nossos dias e das nossas noites, são estados maravilhosamente singulares e definitivamente irrepetíveis.

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13.1.04


Quem procura sempre encontra. Pelo menos é assim que muita gente pensa.
Confesso que procurei, procurei, e não achei.
Veja o que me aconteceu, clicando aqui.

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Enquanto os políticos - verdadeiros malabaristas da palavra - usam seus discursos para transformar verdades tangíveis em mentiras inalcançáveis, os poetas - modestos megalómanos - apenas verbalizamos com graça e melodia os nossos dramas e vazios, transformando em belos e sedutores poemas os nossos becos sem saída, as nossas angústias sem remédio, os nossos fracassos sem retorno, as nossas esperanças sem limite.
Leia aqui

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Ninguém vive impunemente, nem está imune aos efeitos irreversíveis que o passar dos dias e das noites produz. Eu que o diga!
A vida cobrou-me um alto preço em anos para ensinar-me uma lição que - mesmo querendo - jamais poderei esquecer.
Clique e leia aqui.

BRUNO KAMPEL 10:14

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12.1.04


Não invento nada ao dizer que somos muitas pessoas ao mesmo tempo. Habitam em nós diferentes e antagônicos personagens. O poeta e o traficante de influências, o verdugo e o bom samaritano.
No meu caso eles se encontram quase todas as manhãs na hora do desjejum, pondo a prova a minha capacidade de transigir para que todos os meus Eus possam dizer o que pensam..
Para que saiba do que estou falando, clique aqui...

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Mesmo que hoje seja a segunda-feira mais sem graça das muitas que por aqui deram as caras nos últimos tempos, faço de conta que não é assim e mando-lhes um quase texto, que na verdade é um quase nada sobre um quase beijo numa quase manhã de uma quase vida de um quase escritor.
Ah! Quase esqueço de dizer que quem não ler o texto até o fim ficará quase careca em quase tres semanas ou engordará quase vinte quilos em quase um mes. Clique quase aqui

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Aprecio os detalhes. Gosto de construir castelos a partir de um grão de areia. E foi por causa dessa minha mania que garimpei nos classificados do jornal o apelo de uma moça só procurando um quarto.
Não resisti e respondi imediatamente. Leia aqui.

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A realidade não é um cenário tangível, uniforme, concreto, ou cientificamente definível. Ela é o produto e o fator da cabeça que, usando os parámetros subjetivos que cada um possúi, processa o que os olhos vêem, tentando decodificar o mistério que se esconde entre o tique e o taque do relógio da Vida.

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11.1.04


Ainda a espero. Ainda que demore, a espero. Ainda que não venha, a espero. Por isso este poema.

Leia o poema clicando aqui...




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Ontem almocei num restaurante especializado na "nouvelle cuisine française".
Verdadeiramente delicioso. Um filé do tamanho de uma mosca. O molho pintado num canto do enorme prato. Uns misteriosos pontos pretos fazendo jogo, junto aos 7 grãos de arroz - que só depois vim a descobrir que eram as tão afamadas ovas de estrujão.
Enfim, tanta qualidade e delicadeza, tanto bom gosto e classe, não foram suficientes para o meu apetite, pois no fim estava com mais fome da que tinha quando entrei no restaurante.
Logo que terminei de deglutir a sobremesa (tres mini-caroços de pêssego), e após conseguir vender o Rolex de ouro para pagar a conta, saí correndo até a primeira lanchonette que encontrei e quase aos gritos pedi dois bolinhos de bacalhau e tres pastéis de queijo.
Agora, comparando preços e sabores, devo admitir que tenho saudades do meu Rolex, e que a partir de hoje serei fiel aos quitutes tupiniquins.

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Depois da sobremesa, e após ter digerido cada gole da música servida e caminhado a branca encruzilhada que a neve bordara sobre a tristeza invernal que cobria o chão do meu jardim, sentei aos pés da lareira sobre os restos do dia que agonizava e fiz uma promessa que pretendo cumprir, custe o que custar.
Leia aqui.

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10.1.04


Pode parecer algo descabelado, mas escrevi o Manifesto das ovelhas negras. Sim, nele dou voz a todos os que divergimos da maioria, aos que não aceitamos ser tratados como números, aos que rejeitamos o pensamento único.
Se você é um dos nossos, clique aqui e leia, e depois mande seu comentário.

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Há janelas que realmente vale a pena abrir. Sim, essas que usamos como portas pelas quais sair voando, voar sonhando, sonhar pensando. Tomara olhássemos por elas enquanto digitássemos nos seus transparentes cristais perguntas inteligentes, porque de respostas infalíveis estamos todos fartos.
Tomara essa telinha que nos diz tanto e nos pede mais ainda; sim, esse monitor que parece uma janela escancarada ao mundo mas que não passa de ser um paredão no qual fuzilamos diariamente as nossas possibilidades de sermos outra vez de carne e osso, se transformasse num varandão pendurado sobre uma bucólica pracinha de bairro, num país sem dores sociais, habitado por gente como a gente. Seria, quando menos, a derrota das regras do jogo escritas e impostas pelos fabricantes da desventura, e, quando mais, a consagração de todos aqueles que tratamos de transformar impulsos elétricos em sentimentos humanos, ou promessas virtuais em resultados concretos.

Por isso é que vale a pena levar sempre uma janelinha aberta no bolso de trás da nossa sensibilidade, porque se não o fizermos, nos veremos obrigados a ratificar a vitória definitiva e mortal do cinza sobre o arco-íris, do partir sobre o chegar, do acatar sobre o livre arbítrio, da renúncia sobre a esperança.

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Quem achar que escrever é fácil não sabe da missa a metade. Um dia desses eu caminhava à toa, indo a lugar nenhum, numa ruazinha de uma cidadezinha da Suécia, olhando para os lados, para cima, para dentro, quando....
Leia o que vi, e como terminou o passeio... Clique aqui.

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22.11.03


Algo especial para as festas que se aproximam. O que escrevi serve para todos nós. Crentes ou não. Felizes ou não.
Para saber do que estou falando e comprovar que tenho razão, clique aqui

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5.10.03


Schubert escreveu uma só Ave Maria. Michelangelo não repetiu nenhuma das suas obras, e Fellini fez uma só versão de Oito e meio. E assim, guardadas as devidas proporções, eu escrevi uma só mensagem contando o incrivel caso de que foi testemunha o Julinho.
Até prá mim, que o conheço desde muito antes de nascer, não é fácil acreditar no que ele me contou. De qualquer forma, se a criança que você é ainda respira, clique aqui

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1.10.03


Hoje uso a geometria para explicar didaticamente o teorema da solidão. Veja se o resultado não é matematicamente perfeito. Leia aqui.

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10.9.03


A idade é fogo. Não sei a de vocês, mas a minha...
Para que saiba do que estou falando, clique aqui...

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29.8.03


Faz alguns dias fiquei matutando por que será que temos tanta dificuldade em conviver com as diferenças. E esse matutar pariu não sem dores e com a ajuda de fórceps uma bem nutrida conclusão: à medida em que vamos ficando cada vez mais adultos, ou seja, cada vez menos incultos, quer dizer, cada vez mais doutos, o que significa cada vez mais ocos, vamos reprimindo a capacidade infantil de aceitar que tudo é razoavelmente viável e que nada é definitivamente impossível.
Finalmente, considerei provado sem sombra de dúvidas que a despeito dos sólidos conceitos científicos que o provam e das bem estruturadas teorias do comportamento que o negam, dois bicudos sim se beijam.

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25.8.03


Definir a pátria não é tarefa fácil, pois cada um tem uma idéia diferente sobre ela.
Eu também, e creio que não é muito convencional.
Clique e leia aqui.

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24.8.03


Aqueles que temos o hábito de escrever e/ou ler, aprendemos uma pura e simples verdade: o papel aceita tudo. Aceita tanto um poema de amor quanto uma declaração de guerra. O testemunho desgarrador dos sobreviventes do Holocausto e na página seguinte a tese dos que dizem que Holocausto não houve.

O papel aceita tudo e mais ainda. Os Lusíadas de Camões e Mein Kampf de Hitler. Discursos em defesa da vida e anúncios dos fabricantes de armas. Votos de felicidade e condenas a morte. A verdade e a mentira. A denúncia do crime e a defesa do mesmo.

Mas por sorte o papel não é nem auto-suficiente, nem o principal conteúdo de uma publicação, mas apenas o continente sobre o qual transitam os assuntos; o cenário no qual atúam as idéias; o jardim onde florescem as propostas; o púlpito desde o qual se rezam os discursos.

Lembro como se fosse hoje do momento em que escutei pela primeira vez que "o papel aceita tudo". Aconteceu numa ensolarada manhã de janeiro de 1969 quando o saudoso Mário Lago a pronunciou.

Compartilhávamos um pequeno quarto usado normalmente pelo cavalariço da estrebaria do Regimento Caetano de Faria, no Rio de Janeiro, onde estávamos presos, numa época na qual estar preso era a mehor das duas únicas possibilidades, porque a outra alternativa era estar morto.

Não posso esquecer o momento em que Carlos Lacerda - que completava a trinca de detidos - ao ouvir a frase que o Mário deixara cair sobre o silêncio que imperava, adicionou incontinenti: "Eu que o diga!..." e soltou uma gargalhada que fez relinchar de satisfação aos cavalos que pastavam aos pés da janela da cela.

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11.8.03


Desconfio que muitas vezes há mais poesia na ausência de poesia do que em aplaudidos versos ou em premiados livros ou em completas bibliotecas.
Sim. Diria que un pedido de ajuda carregado de meias palavras, de lágrimas insinuadas, de gritos contidos, chega mais fundo que Camões e Pessoa junto
con sus formosos e famosos versos de papel e letras.
Aposto que diz mais um silêncio de cumplicidade do que cem mil poemas de felicidade, e emociona muito mais uma dor de carne e osso do que todas as desgraças e alegrias do Cântico dos Cânticos.
Não duvido que sofrer sem palavras ou esperar sentado; que chorar a sós ou rir à toa, rimam mais do que o escrito por todos os gênios da poética e da prosa.
Estou certo que há poesia naquilo que fazemos e também no que deixamos de fazer. Inclusive na intolerância que nos confina na prisão perpétua da nossa inverídica
omnipotência.
Esta mensagem tampouco é poesia, e por isso é o que se diz um verdadeiro poema, porque tanto eu como tu ou como ele, o único que fazemos é somar palavras cujo resultado faça sentido. Quem nos lê é quem decide, porque o leitor é o nosso convidado de honra, o nosso amante de turno, o nosso verdugo.

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2.8.03


A Verdade não é um bem absoluto, mas um olhar particularmente subjetivo sobre uma determinada realidade, porque cada um de nós tem seu próprio e irrepetível código para descifrá-la.
Por isso, quando discursamos sobre a verdade como valor universal, o que realmente estamos fazendo é apresentar o nosso conceito subjetivo da Verdade, e não a Verdade propriamente dita, já que como tal não existe. A não ser, claro, dentro de uma discussão filosófica como as que mantinhamos na nossa juventude, enquanto viajávamos agarrados com uma mão à bainha da madrugada e com a outra a uma tulipa estupidamente gelada, numa época de nossa vida na qual nos dedicávamos a discursar sobre as utopias que acreditávamos realizáveis, e a urdir estratégias para transformá-las em realidade.
Hoje, quase todas essas utopias jazem feridas de morte, vítimas da realidade que as atropelou e das promessas que ficaram nisso.

Este poema minimalista é parte inseparavel do puzzle da minha Verdade.

As veias do tempo
são rios de dias
semeados de aromas
cheirando a carícias
que tecem suando
a pele da entrega
profunda e completa.

Sangrante poema,
a espera.

Se clicar na palavra mágica Shazam! aparecerá - num abrir e fechar de olhos - dentro de outra das minhas pequenas verdades.

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18.7.03


Sempre que posso publico um pequeno texto ou poema que não fale nem da paz universal nem da guerra total nem das bombas letais ou dos assassinatos globais, muito menos da bandidagem institucionalizada que governa o desgoverno do dia-a-dia de mais da metade do mundo.
Sim, publico apenas uma tomografia virtual do nosso ser interior, para que não esqueçamos que muito mais do que imaginamos, que muito além das ideologias e dos dogmas e dos programas e dos projetos, somos apenas o poucomuitotudo que somos: crianças cheias de medo e de ternura, brincando de adultos fantasiados de guerreiros ou profetas.
Hoje é a vez de um texto escrito por uma das tantas crianças que me habitam, e dedicado a todos os adultos que pensamos ser aquilo que sonhamos que somos, e não aquilo que a realidade quer que sejamos. Leia aqui

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14.7.03


Hoje é o "quatorze juillet", ou seja, o dia nacional da França.
Aproveito a data para republicar um pequeno texto que escrevi há um par de meses em memória de uma grande amiga minha que morreu no Iraque vítima dos bombardéios indiscriminados das forças do bem. E o faço hoje pelo fato dela ter nascido na França. E o faço aqui porque sei que muitos de vocês a conheceram.
Para ler o que que escrevi em sua homenagem, basta com clicar aqui.

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13.7.03


Há noites que passam em branco. Outras, que deixam lembranças. Umas poucas valem por todas as noites vividas e por viver.
Veja como transcorreu a minha. Leia clicando aqui.

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6.7.03


Uns - os ventríloquos do pincel e suas cores - cinzelam quadros cheios de adjetivos.
Outros - os domadores da pedra e do metal - redigem esculturas carregadas de perguntas.
Nós - os lavradores da palavra e do silêncio - semeamos metáforas sobre a pele de galinha da vida.
Os demais - leitores de quadros, carregadores de estátuas e intérpretes do dizer e seus significados -
são nem mais nem menos do que os consumidores finais do nosso fazer e dizer.

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28.6.03


Muito curioso, sem dúvida. Freei no sinal vermelho, um desses que demoram pouco a mudar de cor. Em menos de um segundo consegui cartografar o território circundante, que a primeira vista compunha-se de quatro esquinas e dois cachorros levando a seus respectivos donos pela coleira.
Apontando o olhar para a janela do apartamento de um dos prédios que formavam o cruzamento, flagrei o perfil de uma velhinha de cabelo branco limpando os vidros, e num giro rápido da cabeça detectei uma criança parada frente à vitrine da loja de eletro-domésticos, quando olhava gulosamente para um computador conversível último modelo, tão moderno na sua tecnologia quanto inalcançável no seu preço.
Mudando aleatoriamente o destino do meu olhar esbarrei sem querer na árvore à minha esquerda, onde alguns passarinhos brincavam de esconde-esconde, e no pedaço de céu que completava o panorama, um par de nuvens recém nascidas choramingavam uma garoa fininha que se acomodava sem pressa sobre o pára-brisa do meu carro.
Bastante bucólica a paisagem. Pena que tudo mudou quando de supetão, e avançando o sinal vermelho, atropelou-me uma vetusta verdade que não sei se saiu da esquina da vida, da curva da experiência ou do fundo da névoa do tempo. Estava escrita com o sangue de muitos, de todas as raças, de todos os credos, e dizia, em letras garrafais: "a violência que é combatida com violência ainda maior, antes de morrer pelo efeito das armas carregadas de vingança, dá à luz, num parto dolorosíssimo, a milhões de germes de violência inimaginável, que rapidamente se instalam no desnutrido código genético dos povos oprimidos ou saqueados ou explorados."
Foi nesse exato momento - justo quando as idéias começavam a ficar realmente claras - que o sinal abriu. Apertei então o botão mental de Guardar como... sim, o tal do Save as... e acelerei a caminho da verdade nua e crua, onde as manchetes dos jornais me esperavam sentadas nas primeiras páginas da realidade.



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23.6.03


Foi há tanto tempo!... Lembro muito bem dos minúsculos detalhes. Dos cheiros imperceptíveis. Dos acordes desafinados. Dos olhos opacos das mulheres sem rosto.
Sim, e agora, sem pedir licença, a pianista do bordel senta-se na minha imaginação e começa a dedilhar os acordes de Bésame mucho.
Enquanto o bolero invade a pele dos ouvintes e o chofer de caminhão começa a roer as unhas de tanto tesão armazenado, eis que espiando desde um velho quadro pendurado numa parede manchada de Tempo e incontinência, o espírito do antigo proprietário do velho palacete lança carícias francesas às costas seminuas da pianista, e esta, sem sequer perceber os dedos que a visitam sorrateiros, agoniza em cada frase musical que a sua sensibilidade borda no teclado de renda com que a noite veste suas vergonhas.
Minha memória - incorruptível - instala os ecos de um tango sentimental, ao som do qual danço sòzinho a lembrança de outras noites.

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22.6.03


A pura náusea. O amanhã sem amanhã. Prepotência de poucos gerando impotência de quase todos. Mundialização da privatização, concedendo-se o nihil obstat ao desenfreio do poder frente ao não-poder honoris causa dos que sempre pagam a conta do banquete alheio.
O tema é difícil, mas...
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21.6.03


Desconfío que muitas vezes há mais poesia na ausência de poesia do que em aplaudidos versos ou em premiados livros ou em completas bibliotecas.
Sim. Diria que um pedido de socorro carregado de meias palavras, de lágrimas insinuadas, de gritos contidos, chega mais fundo do que Pessoa e Camões junto com seus belos versos de papel e letras.
Garanto que rima mais um silêncio de cumplicidade que cem mil poemas de felicidade; uma dor em carne e osso do que todas as desgraças e alegrias do Cântico dos Cânticos.
Não duvido que sofrer sem palavras ou esperar sentado ou chorar sozinho, rimam mais do que o escrito por todos os gênios da prosa e do verso e da palavra.
Acredito que há poesia em tudo o que fazemos e em tudo que deixamos de fazer. Ela está presente até na intolerância que nos confina no calabouçoo da nossa inverídica onipotência.
Esta mensagem tampouco é poesia, e por isso ela é um verdadeiro poema, porque eu, tu, ele e ela, o único que verdadeiramente fazemos é somar palavras e multiplicar conceitos. O restp é vã filosofia.

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19.6.03


Só agora, depois de ter recebido a confirmação oficial do falecimento de uma querida amiga na Guerra do Iraque, e levando em consideração o fato de que alguns de vocês também a conheceram, divulgo este pequeno epitáfio, porque foi escrito especialmente para quem partiu antes do tempo, vítima do mais cruel dos destinos.
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18.6.03


Esperar não é fácil. E enquanto a ela não chega...

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16.6.03


Perdemos dinheiro. Dói, mas não morremos por causa do vil metal.
Perdemos a fé e a esperança, e a despeito disso a nossa vida continua.
Diferente - muito diferente - é quando não conseguimos achar-nos.
Na maioria dos casos, ocorre o que conto aqui...

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Tomara fosse possível descadastrar do mapa a todos os políticos inescrupulosos que pululam impunemente pela...

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14.6.03


Fazer um balanço da vida e da morte não é fácil, mas é obrigatório.
Veja o meu aqui.

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Tem gente que não gosta de sorvete. Outros detestam pizza. Mas não é pensando neles que escrevo, mas naqueles que não aprovam que num meio como este alguém publique um poema, ou um conto, ou uma crônica.

Pois muito bem: se alguma pessoa não gostar de que de vez em quando apareça aqui uma poesia ou uma simples prosa poética, sugiro-lhe que vá agora mesmo até o prédio mais alto do seu bairro e peça licença ao proprietário da cobertura para subir ao teto do edifício (quanto mais alto, melhor), e uma vez lá, que se aproxime da beira e dê os seguintes passos, nesta ordem:

Primeiro, que olhe para baixo, para as coloridas copas das árvores que não deixam ver a calçada de tão cheias de folhas que estão.

Segundo, que levante a vista e olhe para o céu, estupidamente azul, manchado aqui e acolá por pequenas nuvens que transitam celeremente.

Terceiro e último - num grand finale digno de aparecer em todos os telejornais - que imite os movimentos delicados das gaivotas que desfilam pela passarela que fica entre o sol do céu azul e as árvores da superfície terrestre, e num último e definitivo gesto abra os braços, e rezando a oração que mais a emocionar, agradeça a seu Deus por toda a poesia que existe no ar, e pelos passarinhos que aninham nas copas das árvores, e pelas nuvens que vem e que vão, e pelo bom que é estar vivo, e pelo maravilhoso que é estar com saúde.

Depois, e sem necessidade de palavras - bastando apenas um olhar cheio de ternura para a paisagem circundante - que diga adeus a esse momento de sensibilidade e faça o caminho de volta ao seu computador, e em lá chegando digite um comentário no Blog para que nós - pobres mortais - possamos usufruir um pouco da poesia que ela escreveu nas páginas da sua própria vida.

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12.6.03


A pior das saudades é aquela que sentimos daquilo que nunca aconteceu. Clique e leia aqui.


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11.6.03


Tomara fosse possível descadastrar do mapa a todos os políticos inescrupulosos que pululam pela geografia da realidade, que saltitam pelas páginas dos partidos, que nos olham desde as manchetes policiais, que conspiram....

Continua aqui.

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10.6.03


Há noites que ficam para sempre. Momentos que jamais nos abandonam. Lembranças que nunca morrem.
Noites de amor, então... Leia clicando aqui.

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7.6.03


Se queremos copiar um programa na rede, devemos assinar primeiro os Termos de Responsabilidade.
Se desejamos instalar no micro um programa, devemos antes aceitar as condições do fabricante.
O único espaço na Internet que está desprotegido até hoje é aquele que diz respeito ao relacionamento entre pessoas que, habitando cidades ou países diferentes, têm apenas como garantia a palavra virtual que lhes chega desde o outro lado da telinha.
Por que não criar um Contrato Virtual que delimite e defina a qualidade da relação virtual entre distantes desconhecidos?
Escrevi um modelo que talvez sirva.
Leia aqui.


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6.6.03


Se deixamos que a masturbação virtual substitua o coito de carne e osso; se fizermos vista grossa às mentiras internáuticas que nos transformam em super-homens digitados; se aceitarmos usar os antolhos que só permitem ver o "politicamente correto", seremos então mais um autômato dentro do grande rebanho de marionetes em que se transformou a Internet.
As regras do jogo estão aqui.

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O diagnóstico é definitivo. A sensibilidade é uma doença incurável. Para neutralizar os seus efeitos devastadores, devemos ter cuidado com as conseqüências, que disfarçadas de largas e floridas avenidas nos conduzem a sedutores becos sem saída.

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5.6.03


Não sei se verei a luz do día em que minhas expectativas poéticas sejam carne e osso, olho e beijo, coração e tato, corpo e alma.
Por enquanto, vou ao Banco depositar um restinho de esperança, que mais não tenho.

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2.6.03


Tempos de bonança para os profissionais da saúde mental. Cada vez mais pacientes, impacientes por encontrar o remédio ou a fórmula que lhes permita aceitar sem chiar a ordem peremptória de se incorporarem ao rebanho. Dizem os que já fazem parte dele que o mais difícil é o primeiro meeee...!!

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31.5.03


Éramos dois e nem sabíamos, e agora não somos nós e o esquecemos. Fomos soma, como uma vigília, e seremos verbo, como um mandamento.
Somos as duas da madrugada, e engarrafados em perfumados frascos de horas perdidas, naufragamos em gritos tormentosos, enquanto as copas floridas dos dias que passam disputam entre si seu território de sombras, e os alicerces da espera declamam perguntas silentes.

Quero deixar de esperar, para que chegues.

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29.5.03


Antiqüíssimos fracassos vestidos de smoking. Puídas reminiscências estreiando ousadíssimos decotes. Velhas alucinações em preto-e-branco decorando as paredes da noite. Olheiras amestradas recebendo na porta da solidão aos seus convidados, e num canto do silêncio, um par de pacientes perguntas esperando sentadas pela chegada de alguma resposta esperançadora.
No vaso de flores, uma esclerosada orquestra de gerânios aposentados desafina seus mirrados instrumentos, enquanto os dançarinos arrastam melodicamente as suas artríticas derrotas.
Jovens e elegantes mentiras escolhem par entre vetustos e decrépitos enganos. Robustas e bem nutridas desventuras dançam abraçadas a musculosos e atléticos desencontros, e duas lágrimas recicladas cruzam as suas sedutoras pernas tentando conquistar a um par de olhos que as acolha sem perguntas indiscretas.
Desde um canto do teto, um par de anônimas e atônitas moscas não deixa escapar nenhum detalhe do evento.
Essa a "mise-en-scene" de uma noite de insônia - a qual, pedagógica como sempre - redige entre aspas a sua particular versão dos fatos:


"Olheiras perplexas
deliram perguntas
que roem as unhas
das horas que passam
e estas insones
qual arame farpado
bordam respostas de pedra
que convidam ao quebranto
que doem sem clemência
que ferem sem vergonha
e morrem sem vontade
enquanto a madrugada
esvai-se gota a gota
e o perfil da aurora
entre um bocejo e outro
pendura-se nos olhos
da noite que agoniza
ao passo que a alvorada
cumprindo seu destino
floresce pontualmente
e inventa um novo dia."



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26.5.03


Suponho que cada um de vocês tem um grande segredo que não gostaria de ver divulgado.
Eu também o tenho, mas contrariamente à praxe de calar e esconder, decidi contar a verdade que guardo com zelo há tanto tempo.
Para tal efeito preparei uma confissão em regra. Mas por favor: leia o texto até o fim, pois só assim conhecerá as duas caras da verdade, e não esqueça de comentar a sua opinião. Clique aqui

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24.5.03


Não sei se já contei, mas a despeito de ter nascido em Copacabana criei-me em Buenos Aires. Pois bem, lá minha mãe costumava cantar para nós crianças as cantigas de roda e as canções de ninar do Brasil.
Não muito tempo atrás - num gesto de reciprocidade - meu irmão Claudio e eu pegamos as mãos dela entre as nossas, e começamos a cantar:

Sapo Jururúuuu, na beira do riiiio,
quando o sapo pía maninha,
é que está com frio.

Mesmo vendo lágrimas nos seus olhos, continuamos, ainda que o nó nas nossas gargantas fizesse que desafinássemos:

Sapo Jururúuuu, na beira do mar,
quando o sapo pía maninha,
é que quer casar...

E foi assim que minha mãe adormeceu para sempre, no dia 3 de março de 2002.

( Até a morte merece um poema. Veja aqui )

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23.5.03


Enquanto tua ausência diz Presente, contento-me com beijar o teu retrato. Beijos de espera, treinando para quando o papel vire pele e a minha solidão morra asfixiada na comissura dos teus lábios.
Enquanto teu retrato é a tua única presença, só posso afagar tua lembrança. Afagos de espera, aguardando que a vigília produza resultados, transformando em corpo a epiderme dos meus versos, e em alma o solfejo dissonante dos teus beijos.
Enquanto tua presença é apenas ausência, só me resta acariciar minha saudade. Carícias de espera, amestrando os gestos para que saibam encontrar o caminho quando a lembrança seja apenas lembrança, e cada afago uma oração de boas vindas.

[Para ver o texto formatado, clique aqui]

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22.5.03


Ainda não sei com certeza se foi um grande sonho, uma oportuna alucinação, um imprevisto pesadelo, uma simples bebedeira, ou o evento aconteceu de fato. O que sim garanto é que ocorreu ontem, logo depois de deitar e um pouco antes de adormecer (ou terá sido ao contrário?...)
Bem, pouco importa a ordem cronológica. Tenha sido antes, durante ou depois, o fato é que....

clique aqui e leia o resto

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20.5.03


Devo confessar que nos tres ou quatro últimos anos não ganhei nenhum prêmio literário. Nem que fosse apenas um simples diploma ou uma singela nota de agradecimento no rodapé de uma mensagem eletrônica.
Sim, nada de medalhas, nem de taças de ouro ou prata ou bronze, nem publicação da obra, nem participação em antologias poéticas, nem prêmios em dinheiro.
Como podem ver, os tres ou quatro últimos anos para mim passaram totalmente em branco, pelo menos no que a Prêmios Literários se refere.
O único que me consola, o único que me dá forças para continuar insistindo nesse cansativo exercício de escrever o que sinto, é o fato de que, se bem é verdade que nos tres ou quatro últimos anos não conquistei nenhum galardão, também é verdade que nos tres ou quatro últimos anos não participei de nenhum Concurso de Poesia ou de Prosa ou de Contos ou de Qualquer Coisa.

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19.5.03


Quero partilhar com vocês uma pobre reflexão sobre a realidade. Nada tem a ver com a profissão de fé dos crentes ou a ausência dela nos agnósticos. É apenas e tão somente uma fotinho 3X4 duma Realidade 18X24.
O problema é que quando essa realidade desmente sem contemplações e dia-a-dia os dogmas, dizeres e cantares sobre os quais apoiamos os pés da nossa desbotada humanidade, hora-a-hora fica mais e mais difícil encontrar uma resposta que nos ajude a manter o equilíbrio lá no alto do trapézio, pois quanto menor seja o território da esperança, maior será a dor da queda ao bater no chão do picadeiro deste circo que é a vida.

Isto escrevi quando visitei Auschwitz:


Deus é grande! exclamou
o diabo ao somar seus haveres.

Deus provê! festejou
o cardeal em seu palácio.

Deus insiste! comprovou
o correspondente de guerra.

Deus não existe! disse
ao olhar Deus a sua obra.

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Uma tomografia das entrelinhas do dia-a-dia. Um olhar de viés aos fatos que diariamente nos atropelam.